Terceirona

Terceirona: A situação financeira da SEGA no ano fiscal de 2016 (e parte de 2017). Uma recuperação muito tímida que ainda precisa ser consolidada

Para terminar o ano de 2016 o nosso tradicional texto ímã de tretas: Vamos conversar um pouco sobre a situação financeira da SEGA neste ano bizarro que está terminando (ainda bem).

E passou o ano e simplesmente não falamos nada sobre a situação financeira da casa do ouriço ao contrário de outros anos que sempre fiz textos entre abril e setembro. Qual razão deste silêncio?

O silêncio foi intencional e existe dois bons motivos: O primeiro e o principal é que a cada texto meu com este teor na Sonic Evollution sempre causa problemas para o andamento do site, em 2014 e 2015 os webmasters tiveram que passar por alguns apertos e pressões por causa dos textos que publico aqui. O teor direto, cético e duro deixa muita gente irritada e este acaba sendo o gatilho para as tretas infundadas com o intuito de denegrir e prejudicar o site em seus projetos durante o ano e justamente para evitar isso que decidi publicar no final do ano quando as pessoas geralmente estão cansadas e não dispostas a brigarem.

O segundo motivo é que neste ano de 2016 tivemos uma escassez de fontes, análises e notícias sobre a situação financeira da SEGA até mesmo na imprensa financeira. Como não sou economista, administrador ou contador ficou mais difícil ter uma situação clara como aconteceu em 2013, 2014 e 2015. Até outubro quase nada tinha sido publicado e só de dois meses para cá saíram alguns materiais para embasar meu texto. De todos os textos sobre a situação da SEGA que já escrevi até hoje, esse com certeza, será o que menos terá conteúdo por causa dessa escassez.

Mas creio eu que este texto nem vai ser tão odiado quanto os anteriores, já que na conclusão pode ser que pela primeira vez apresentaremos uma boa notícia em médio prazo (veja bem, pode, não significa que terá).

Antes de continuar: não custa ler e reler, afinal, relembrar é viver!

Eu escrevo colunas para a Sonic Evollution desde novembro de 2014 e notícias em geral desde 2012, portanto eu não serei prolixo neste texto, ou seja, não vou me repetir.

Peço para que leia atentamente todas as Terceironas e Terceirinhas antes de comentar. Principalmente as Terceironas 3 (Delírios parte 2) e 5 (O estilo Bender de viver) onde comento especificamente a situação da empresa em 2014 e 2015 respectivamente. Mas você pode dar uma olhada em todos os textos da coluna seguindo este link.

Também peço que leia as fontes que estarão no final deste texto, links de outras notícias sobre a SEGA que postamos aqui na e SE e outros links que eu colocarei durante o texto.

Faço esse apelo pois sempre tem algumas pessoas que nunca leram nada que escrevi aqui no site e que ficam me chamando de burro ou até mesmo de desonesto por está “omitindo informações” quando eu já escrevi estas informações “omitidas” em outros textos. Colaborem, beleza?

Os números

O ano fiscal de 2016 que terminou em 31 de março (eu já expliquei em outros textos a causa desta disparidade entre o ano civil e fiscal no hemisfério norte) e mantendo a estrutura que adotei nas terceironas anteriores então vamos aos números brutos.

* Ações

No fim do ano fiscal de 2016 as ações tiveram um baixa considerável chegando perto de 1200 ienes mas de lá para cá até no exato momento que este texto está sendo escrito as ações recuperaram e voltaram para o valor de 1800 ienes a unidade (e a perspectiva neste exato momento é de continuar aumentando e existe uma razão para isto está/ter acontecendo/acontecido e vou falar mais para frente no texto), valor este muito parecido com o praticado em 10 de junho de 2015 quando escrevemos na última análise. Na prática de 2015 a 2016 as ações tiveram uma valorização perto de 0% como vocês podem ver no gráfico abaixo:

Imagem 1 (Reuters) Gráfico da evolução dos preços das ações a da SEGA Sammy desde 2004

Imagem 1 (Reuters) Gráfico da evolução dos preços das ações a da SEGA Sammy desde 2004

* Queda no faturamento e um lucro próximo a zero

Em relação ao ano fiscal de 2015 ocorreu uma nova queda no faturamento (revenue) da empresa de 18,83 bilhões de ienes (de 366,17 bilhões de ienes para 347,98 bilhões de ienes) uma perda aproximada de 5% em relação ao período anterior.

Mas o lucro líquido (net income) cresceu em 16,75 bilhões de ienes, passando de um prejuízo de 11,38 bilhões de ienes para um saldo positivo de 5,37 bilhões de ienes, aumento de aproximadamente 110% em relação ao período anterior.

O que levou a este resultado a primeira vista confuso? Bom, o passaralho (demissão em massa de quase mil funcionários) que acometeu a empresa em 2015 somado aos cortes da reestruturação sofrida neste mesmo ano (já comentado na análise anterior) junto com um leve aumento nas vendas digitais no Steam no fim de 2015 foi o principal motivador para essa reversão de rumo que não era esperada (como noticiei aqui).

Descontando o prejuízo de 2015 o lucro líquido é de um pouco mais de 5 bilhões de ienes, um crescimento de apenas 16% em relação ao período de 2014 (também já discutido aqui em outras ocasiões) e menos de 10% se comparado aos anos de 2010 a 2012 e pôr os últimos três anos fiscais da empresa serem bem fracos com um aumento de dívida (que será falado mais para frente), ou seja, em relação ao histórico da empresa é um crescimento perto de zero, coisa que quando disse aqui foi o maior estardalhaço.

O gráfico abaixo sintetiza isso de forma mais compreensível e didática.


Imagem 2 (FT): Podemos ver no gráfico acima que o faturamento do ano fiscal de 2016 é praticamente igual ao de 2013 quando a empresa tinha números melhores. Veja que é possível ver que o lucro de 2016 não é suficiente para fechar o rombo de 2015!

Imagem 2 (FT): Podemos ver no gráfico acima que o faturamento do ano fiscal de 2016 é praticamente igual ao de 2013 quando a empresa tinha números melhores. Veja que é possível ver que o lucro de 2016 não é suficiente para fechar o rombo de 2015!

* O aumento da dívida, estagnação nos ativos e faturamento estável

No fechamento do ano fiscal de 2016 (em 31 de março) a evolução percentual da dívida da SEGA caiu levemente, no ano fiscal de 2015 a margem estava quase em ~26% e no fechamento do ano está em ~25%*, como vocês podem ver no gráfico abaixo da ycharts.

E antes que venham encher o saco, sim, há uma diminuição percentual que aparece no gráfico e é relativo aos dois primeiros trimestres do ano fiscal de 2017 e ainda não é definitiva e mais para frente eu vou explicar porque não devemos comemorar essa redução. Mesmo assim a diminuição é pequena em relação a última análise que fizemos aqui na Sonic Evollution e não retornou aos patamares de 2012 que estava em menos de 20%.

No gráfico seguinte da FT é possível entender um dos motivos da diminuição percentual da dívida da SEGA nos dois primeiros trimestres do ano fiscal de 2017: Não houve nem queda e nem aumento real dos ativos, alias isso foi uma surpresa para a própria SEGA que espera uma redução nos ativos da empresa e já estimava um rateio de quase 27% da dívida da empresa em relação aos seus ativos como o próprio FT observou.

* Na análise anterior que fiz na Sonic Evollution em junho de 2015 o percentual da dívida fechou em ~24,1% e agora está quase em 25%, ou seja, na prática ocorreu um aumento porém em janeiro deste ano a taxa de juros no Japão ficou negativa pela primeira vez na história de -0,1%. Na prática o governo japonês aboliu a taxa de juros criando 0,1% positivo nos ativos de toda economia nipônica e isso explica as discrepâncias dos números da Terceirona anterior.

Na imagem 4 na dívida bruta (total debt) da empresa é notável que a mesma aumentou em relação ao ano de 2015 onde era ~103 bilhões de ienes e está em quase 136 bilhões de ienes, ou seja, ~33 bilhões de ienes, bem mais que os 5 bilhões de ienes de lucro líquido que a mesma teve esse ano e isso já descontando o juro negativo da economia japonesa já descrito acima.

E para concluir o faturamento ao longo dos quatro trimestres do ano fiscal de 2016 ficou na média da empresa mas como você pode ver no gráfico da imagem 5 muito longe do que o mesmo estava no três trimestres do ano fiscal de 2011. Em março de 2016 no fechamento do ano fiscal ocorreu uma desaceleração que resultou na queda de 5% relatado anteriormente. Nos dois primeiros trimestres de 2017 já podemos ver uma nova alta que ainda não é definitiva (ou seja, pode ser revista).

Imagem 3 (ycharts): Demarquei uma linha no gráfico onde mostra onde estava o percentual trimestral da dívida da SEGA no fim do ano fiscal de 2016. Nos primeiros trimestres do ano fiscal de 2017 há uma redução que ainda não é definitiva, só em meados de 2017 vamos poder afirma que a queda se consolidou ou não.
Imagem 3 (ycharts): Demarquei uma linha no gráfico onde mostra onde estava o percentual trimestral da dívida da SEGA no fim do ano fiscal de 2016. Nos primeiros trimestres do ano fiscal de 2017 há uma redução que ainda não é definitiva, só em meados de 2017 vamos poder afirma que a queda se consolidou ou não.

Imagem 4 (FT): O Gráfico ressalta o aumento da dívida bruta em ~33 bilhões de ienes com estagnação do total de ativos da empresa.

Imagem 4 (FT): O Gráfico ressalta o aumento da dívida bruta em ~33 bilhões de ienes com estagnação do total de ativos da empresa.

 Imagem 5 (ycharts): O faturamento trimestral da SEGA no ano fiscal de 2016 ficou na média da empres nos últimos anos com quedas pontuais refletindo o recuo de 5% acusado no gráfico da imagem 2.
Imagem 5 (ycharts): O faturamento trimestral da SEGA no ano fiscal de 2016 ficou na média da empresanos últimos anos com quedas pontuais refletindo o recuo de 5% acusado no gráfico da imagem 2.

* Outros dados

Lendo o relatório final do ano fiscal de 2016 divulgado pela SEGA (link) dá para tirar algumas informações relevantes para discussão. Geralmente nas colunas que escrevo eu uso análises dos mercados e da imprensa financeira como base em vez do relatório solitariamente, mas como disse no início do artigo, houve um silêncio sobre a SEGA neste ano, portanto terei que usar a única fonte primária sobre o assunto.

Ressalva: Não que o relatório não seja uma fonte confiável, mas como única fonte a informação fica enviesada, sem dizer que os números nos relatórios são revistos periodicamente, portanto apesar de ser informações relevantes devem ser vistas com uma margem maior de ceticismo.

– Depois vários anos o setor de jogos digitais foi o motor da SEGA Sammy. Durante a década de 2010 e principalmente nos últimos 3 anos o que manteve o grupo foi o setor de jogos de azar (Pachislot e Pachinkos). Na página 6 do relatório tem um gráfico comparativo do lucro operacional e é possível ver que o setor de jogos de azar teve uma redução de 2,5% enquanto o de “entretenimento” (jogos digitais) aumentou em 5,4%. A expectativa da SEGA neste relatório quanto a setor de jogos de azar é de pessimismo mas pelo andar da carruagem esse resultado de baixa não irá se manter e mais para frente no artigo explicarei a causa.

– Na página 25 é possível ver o andamento das obras do casino que a SEGA está construindo na Coreia do Sul. Este casino que será o maior da ásia foi o centro da nossa análise anterior e que consumiu um investimento alto da SEGA no ano fiscal de 2015. Parece que as obras estão dentro do cronograma e vão ser inauguradas em algum ponto de 2017. Outros parques da SEGA que fazem parte do setor de “resorts” ficaram estacionados e esta divisão dentro da SEGA está praticamente estagnada, fechou o ano fiscal de 2016 com -0,2% de queda de lucro operacional.

– Da página 27 até o final uma explicação em gráficos e de fácil entendimento da reestruturação do grupo que está em andamento. Até ai nada de novo pois falamos disso exaustivamente nas análises e notícias anteriores. A meta da SEGA Sammy nesta reestruturação é economizar 6 bilhões de ienes anuais até o final do ano fiscal de 2018.

– Em números brutos da página 17 é possível ver que as vendas do setor de jogos digitais aumentaram um pouco em percentual mas em valor bruto foram praticamente a mesma quantia que em 2015. No próprio relatório a justificativa da SEGA para este fenômeno é que ficou mais caro publicar e manter os jogos. Assim como 2015 foram poucos os lançamentos da SEGA, na página 18 é possível ver que o setor mobile (jogos para smartphones com free-to-play) o mais rentável foi Phantasy Star Online e no setor de jogos digitais quem sustentou as melhores vendas foi Football Manager 2016 para PC e Ryu ga Gotoku KIWAMI (Yakuza) para PS3/PS4.

– O que esperar do ano fiscal de 2017?

Uma coisa tem que ser dita, a reestruturação parece que está funcionando. A empresa parou de ter quedas intensas em seus números, o que é o primeiro passo para recuperar da recente crise.

Os resultados dos dois primeiros trimestres do ano fiscal de 2017 (abril/2016 até mar/2017) parecem mostrar uma recuperação tímida nas vendas e uma margem aceitável de lucro, aliás essa alta foi responsável pelo pouco de repercussão da imprensa brasileira de games com a SEGA, o que deve ter surpreendido algumas pessoas que acham que a imprensa nacional de games é “anti-seguista” e perseguem a empresa querendo “desprestigiar” a mesma. Em agosto o Tecmundo Games se empolgou e disse que o Phantasy Star Online 2 teve recorde de vendas, o que não é verdade já que este game é gratuito, as vendas que teve foram dentro do jogo que é um free-to-play. Venda de itens dentro de jogos onlines free-to-play são sim ótimas fontes de renda mas não são a mesma coisa que vender um jogo completo que dá muito mais lucro para a empresa. Até agora o jogo full da SEGA que mais vendeu no ano fiscal de 2017 foi Total War: Warhammer que vendeu quase 3 milhões de cópias.

Lembrando que vários jogos que achávamos que sairiam no ano fiscal de 2017 foram adiados para o ano fiscal de 2018, como Sonic Mania e Project Sonic 2017 e principalmente o aguardado Persona 5, o retorno da clássica e prestigiada franquia da Atlus. É óbvio que se estes games estivessem sido lançados durante o ano fiscal de 2017 os números estariam bem mais altos.

Shemune 3 também está agendado para o ano fiscal de 2018 e apesar de boa parte dos lucros ficarem com os desenvolvedores do jogo por se tratar de uma franquia da SEGA a mesma vai receber parte dos lucros e royalties.

Portanto os números de 2017 que serão fechados em 31 de março e divulgados no final de abril podem ser melhores que do ano de 2016 mas o que promete mesmo é o ano fiscal de 2018.

* Futuro de curto prazo promete melhorias nos números da SEGA.

Como disse acima no ano fiscal de 2018 que inicia-se em 1º de abril de 2017 vai abarcar grandes lançamentos da SEGA em suas principais franquias e isso inclui Sonic.

Dois jogos do Sonic, Persona 5 (e a até a criação de uma divisão interna da Atlus para criação de uma nova franquia), Shenmue 3 e um investimento em animações e filmes de velhas franquias do Mega Drive prometem trazer holofortes e lucros para a SEGA no ano fiscal de 2018.

Se tudo sair como a SEGA está planejando com a reestruturação e se todos os lançamentos do ano que vem tiverem boas vendas o setor de jogos digitais finalmente vai dar lucro sólido na década de 2010.

E algo promete um aumento do investimento externo ocasionando aumento das ações e do valor da empresa como um todo: A legalização de casinos no Japão está prestes a virar realidade. Basta o Senado japonês aprovar o projeto de lei enviado pelo primeiro ministro que uma oportunidade gigante de negócios vai se abrir para a Sega Sammy.

O grupo Sega Sammy é um dos maiores players no mercado de jogos de azar do mundo já que é uma das maiores fabricantes mundiais de máquinas de caça-níqueis mundiais e a própria está construindo um casino na Coreia do Sul.

Já imagino muita gente ao ver as ações da SEGA disparando e vindo até aqui na Sonic Evollution jogar na minha cara: “Viu seu merda, a SEGA se recuperou e vai dominar o mundo” e coisas do tipo mas o fato é que, apesar deste aumento nas ações isso pouco vai impactar no balanço financeiro da SEGA no ano fiscal de 2018. Explico:

A curto prazo não terá nenhum impacto em seus negócios a legalização dos jogos de azar no Japão, mas como a mesma venderá máquinas de caça-níqueis para empresários que vão montar os casinos visando o turismo da olimpíada de 2020 e própria pode querer montar seu próprio casino em sua casa, é óbvio que muitos investidores estrangeiros vão comprar ações da Sega Sammy para revenderem quando esses resultados se confirmarem.

E ai temos novamente o dilema que já discuti na análise anterior: Apesar da baixa deste ano o setor de jogos de azar da SEGA não apenas continuará forte como vai crescer muito nos próximos 5 anos e como já disse na análise anterior, isso pode ser ruim para nós fãs do ouriço, já que a tendência é a empresa investir mais neste setor em vez do setor de entretenimento levando a longo prazo a SEGA mais para o ramo de jogos de azar.

Claro que isso é uma conjectura já que a expectativa de crescimento do setor de jogos digitais e entretenimento da SEGA são positivas e o melhor para nós seria que estes dois setores da empresa entrassem em equilíbrio e isso só o tempo nos dirá.

* Como diria o professor Girafales: Nada de exaltações

A perspectiva a curto prazo da SEGA é bom e se tudo der certo ela terá a oportunidade de sair da crise financeira mas como eu gosto de ressaltar em meus textos, as coisas não são tão simples assim e a pergunta que fica é: E se tudo der errado?

É claro que é difícil tudo dar errado mas pode acontecer e a chance não é pequena, qualquer problema mais grave na economia mundial pode desencadear um problema financeiro na empresa e essa recuperação tímida pode ser perdida.

Vamos lembrar de algumas coisas que pode prejudicar e que não estão sob controle da SEGA: A economia japonesa continua fraca e com a mudança de governo nos EUA e o aumento de juros americanos que vai acontecer no ano que vem por causa dessa troca já acendeu o sinal amarelo do governo japonês onde o mesmo já sinaliza um aumento de juros, que apesar de ser em décimos já faz um estrago nas dívidas públicas e privadas.

A cada dia fica mais evidente que um novo grande atentado terrorista acontecerá no ocidente levando a milhares de mortos devido a situação dos países do oriente médio e até mesmo guerras periféricas no pior estilo da guerra fria entre EUA e Rússia pode ocasionar quebras generalizadas no mercado financeiro e revertendo o pouco de crescimento que boa parte dos países e empresas conquistaram nos últimos 3 anos.

E por ser uma empresa japonesa e pôr o Japão ser um país vulnerável a desastres naturais alguma crise local também pode influenciar nos números da SEGA.

E claro não vamos esquecer dos concorrentes da SEGA já que no Japão a indústria de games é um pouco menos concentrada do que no ocidente. Mesmo com bons resultados talvez as conquistas da SEGA não seja páreos aos resultados de seus concorrentes e investidores do mercado financeiro prefiram investir em outras empresas do que na casa do ouriço e isso também pode impactar no desempenho futuro da empresa.

E claro, todo este otimismo pode ir para o ralo se os jogos lançados no ano que vem não agradar o mercado e o impacto será imediato já que se os mesmos não derem lucros e o investimento não retornar isso será adicionado como prejuízo nos futuros balanços da empresa. Pelo menos a empresa admitiu que no passado recente errou em apostar em quantidade em vez de qualidade, vamos ver se a empresa aprendeu mesmo a lição.

E sem dizer que antes de afirmarmos que a SEGA saiu da crise é necessário que a mesma tape o buraco aberto nos últimos três anos fiscais, tecnicamente falando a empresa continua em crise mesmo com esses bons resultados. É bom não esquecermos disso.

É bom trazer boas notícias de várias coisas que podem dar certo mas também temos que ser realistas e honestos e lidar com as coisas que podem dar errado, por isso mesmo antes de cravarmos que a SEGA saiu da crise ainda vamos precisar de um bom tempo com boas notícias, portanto, não vamos nos exaltar, há um longo caminho pela frente.

* Conclusão

Para terminar mais este texto longo quero ressaltar que pessoalmente eu torço para que todas essas boas notícias e perspectivas se confirmem e a SEGA volte a ser uma empresa lucrativa que produza bons produtos para seus consumidores.

Nos últimos 3 anos aqui na Sonic Evollution sempre fui acusado de “torcer para que a SEGA falisse” e absurdos do gênero só por que eu trazia as notícias ruins que vinham da empresa e em toda análise que fazia deixava o mesmo disclaimer, torcendo para que os números melhorassem.

Mas temos que ser realistas e apesar das boas perspectivas em números brutos o que aconteceu com a SEGA neste ano fiscal de 2016 foi que a mesma parou de cair e ensaia uma recuperação que ainda não se consolidou. Até lá a situação da empresa na minha humilde opinião continua delicada e não devemos fazer festa ou nos dar por satisfeitos pois o que ocorreu não é uma situação ideal.

Espero eu que no final do ano que vem a imprensa financeira mundial melhore sua cobertura sobre a SEGA para podermos ter uma visão melhor dos fatos e para que nossa análise fique mais sólida com diversos pontos de vista.

E a minha satisfação pessoal com estes textos é trazer informações relevantes e não criar falsas expectativas para iludir incautos. Se no futuro houver boas notícias, vamos falar das mesmas, mas se as mesmas não forem boas, também vamos falar procurando isenção, coerência e retidão. Se eu conseguir isso estarei satisfeito com meu trabalho.

E fiquem à vontade para trazer novas informações, elogiar, criticar, rebater e discutir os pontos deste texto aqui nos comentários, sua participação é bem-vinda e você terá minha palavra que não haverá censura.

[EDIT: 30/01/2017]: Vlog especial sobre esta Terceirona no NCDF (TV Fantasma) onde eu faço um resumo deste artigo em vídeo. Clique aqui e Assista!

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Fontes: Reuters, FT.com, Ycharts, MarketWatch, Sega Sammy Reports, Seeking Alpha, Gamasutra, Revista Exame, Folha de S. Paulo, Tecmundo Games, IGN BR [1,2], Gamespot, Adoro Cinema, EuroGamer, Google Finance.

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Disclaimer: A opinião e as convicções e repostas contidas neste artigo não expressam e não refletem a opinião dos webmasters da Sonic Evollution e sim as opiniões do seu autor.

Sobre o colunista

CasperEdson Rodrigues, 32 anos, paulistano, formado em Ciências da Computação e um nerd/gamer desde criancinha, que usa a alcunha de Casper, por ser um branquelo que não vai à praia. É o webmaster do site NCDF e conselheiro/newswriter da S.E.

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Sobre o autor

Casper

Edson A. Rodrigues, 32 anos, paulistano, formado em Ciências da Computação e um nerd/gamer desde criancinha que usa a alcunha de Casper por ser um branquelo que não vai à praia. É o webmaster do site Na Casa do Fantasma e dono do canal homônimo no Youtube e colunista/conselheiro/newswriter da S.E. :)